A Morada do Instante

No silêncio que habita o teu olhar,
Descobri o mapa do meu lugar.
Não o lugar de chegar e ficar,
Mas o de partir e sempre voltar.

Amar é verbo que se aprende no escuro,
Quando a pele é a única verdade
E o corpo, um texto puro
Escrito pela necessidade.

É nas pequenas coisas que o amor se revela:
No café passado mais forte,
Na mão que segura a mão que treme,
No abraço que acolhe e não geme.

O amor que ensina a solidão
Não a que isola, mas a que completa.
Dois seres inteiros, não metades
Que o mundo apressado completa.

E ao fim do dia, quando o cansaço vem,
Olhamos juntos a mesma janela.
Não há perguntas, não falta nada.
A vida cabe inteira numa só morada:
O instante presente, onde o amor se faz
Silencioso, eterno e tão fugaz.